Suspiro

Rita Barém de Melo
Minha lira a suspirar,
Que dizes nesta canção?
São saudades são amores
Dessa flor - recordação! -
Minha lira a suspirar,
Que cantas com tanto ardor?
- Mais prantos do que sorrisos,
Mais tristezas que amor! -
Minha lira a suspirar,
Que tanges nesse amargor?
Não tens nas cordas sensíveis
Nem uma singela flor?
Lira minha que suspiras,
Não tens na vida (que dor)
Uma voz que fale ardente,
Ardentes falas d'amor?!
Lira minha que suspiras,
Como tu meiga quem é?
Mas triste lira não podes
Na ventura teres fé!
Lira minha que suspiras,
Na ventura tu não crês?
Mau condão fadou-te, lira,
Tão jovem, por que descrês?...
Minha lira a suspirar
Continua já não tens crença,
Na dita quem infiltrou-te
Essa profunda descrença?
Minha lira a suspirar
Só tens hinos d'amargor,
Só cantos de sofrimento,
Endeixas de muita dor!
Postado por: Raquel às 22h55
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Saudade

"Saudades! Sim... talvez... e porque não?...
Se o nosso sonho foi tão alto e forte
Que bem pensara vê-lo até à morte
Deslumbrar-me de luz o coração!
Esquecer! Para quê?... Ah! como é vão!
Que tudo isso, Amor, nos não importe.
Se ele deixou beleza que conforte
Deve-nos ser sagrado como pão!
Quantas vezes, Amor, já te esqueci,
Para mais doidamente me lembrar,
Mais doidamente me lembrar de ti!
E quem dera que fosse sempre assim:
Quanto menos quisesse recordar
Mais a saudade andasse presa a mim!"
Florbela Espanca
Postado por: Raquel às 21h30
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Seu coração

"E junto ao seu coração amante
murmuro seu nome sem pensar...
E minha voz já não tem mais tom,
somente o som de um amor infante.
Pois cedo ou tarde é só um instante,
é um momento perpétuo de amar...
Guardarei p’ra sempre o beijo bom
que em meus lábios se fez delirante.
E não há nada que não me encante
— e como posso não me encantar? —
em seu ser, sua alma e seu corpo com
jeito de menina, e seu semblante
de mulher amada a fulgurar
toda a luz do amor em seu olhar..."
Cauneto
Postado por: Raquel às 22h24
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Amor Total

"Amo-te tanto, meu amor...não cante
O humano coração com mais verdade...
Amo-te como amigo e como amante
Numa sempre diversa realidade.
Amo-te afim, de um calmo amor prestante
E te amo além, presente na saudade.
Amo-te, enfim, com grande liberdade
Dentro da eternidade e a cada instante.
Amo-te como um bicho, simplesmente
De um amor sem mistério e sem virtude
Com um desejo maciço e permanente
E de te amar assim, muito e amiúde
É que um dia em teu corpo de repente
Hei de morrer de amar mais do
que pude."
(Vinícius de Moraes)
Postado por: Raquel às 15h12
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O Tempo

Afinal, o que é o tempo?....
Há horas em nossa vida que somos tomados por uma enorme sensação de inutilidade, de vazio.
Questionamos o porquê de nossa existência e nada parece fazer sentido.
Concentramos nossa atenção no lado mais cruel da vida, aquele que é implacável e a todos afeta indistintamente: As perdas do ser humano.
Ao nascer, perdemos o aconchego, a segurança e a proteção do útero.
Estamos, a partir de então, por nossa conta.
Sozinhos.
Começamos a vida em perda e nela continuamos.
Paradoxalmente, no momento em que perdemos algo, outras possibilidades nos surgem.
Ao perdermos o aconchego do útero, ganhamos os braços do mundo.
Ele nos acolhe: nos encanta e nos assusta, nos eleva e nos destrói.
E continuamos a perder e seguimos a ganhar.
Perdemos primeiro a inocência da infância.
A confiança absoluta na mão que segura nossa mão, a coragem de andar na bicicleta sem rodinhas por que alguém ao nosso lado nos assegura
que não nos deixará cair...
E ao perdê-la, adquirimos a capacidade de questionar.
Por que? Perguntamos a todos e de tudo.
Abrimos portas para um novo mundo e fechamos janelas, irremediavelmente deixadas para trás.
Estamos crescendo.
Nascer,
crescer,
adolescer,
amadurecer,
envelhecer,
morrer
Vamos perdendo aos poucos alguns direitos e conquistando outros.
Perdemos o direito de poder chorar bem alto, aos gritos mesmo, quando algo
nos é tomado contra a vontade.
Perdemos o direito de dizer absolutamente tudo que nos passa pela cabeça sem medo de causar melindres.
Assim, se nossa tia às vezes nos parece gorda tememos dizer-lhe isso.
Receamos dar risadas escandalosamente da bermuda ridícula do vizinho ou puxar as pelanquinhas do braço da avó com a maior naturalidade do mundo e ainda falar bem alto sobre o assunto.
Estamos crescidos e nos ensinam que não devemos ser tão sinceros.
E aprendemos.
E vamos adolescendo ganhamos peso, ganhamos pêlos, ganhamos altura,
ganhamos o mundo.
Neste ponto, vivemos em grande conflito.
O mundo todo nos parece inadequado aos nossos sonhos
ah! os sonhos!!!
Ganhamos muitos sonhos.
Sonhamos dormindo,
sonhamos acordados,
sonhamos o tempo todo.
Aí, de repente, caímos na real!
Estamos amadurecendo, todos nos admiram.
Tornamo-nos equilibrados, contidos, ponderados.
Perdemos a espontaneidade.
Passamos a utilizar o raciocínio, a razão acima de tudo.
Mas não é justamente essa a condição que nos coloca acima (?) dos outros animais?
A racionalidade, a capacidade de organizar nossas ações de modo lógico e racionalmente planejado?
E continuamos amadurecendo ganhamos um carro novo, um companheiro, ganhamos um diploma.
E desgraçadamente perdemos o direito de gargalhar, de andar descalço, tomar banho de chuva, lamber os dedos e soltar pum sem querer.
Mas perdemos peso!!!
Já não pulamos mais no pescoço de quem amamos e tascamos - lhe aquele beijo estalado, mas apertamos as mãos de todos, ganhamos novos amigos,
ganhamos um bom salário, ganhamos reconhecimento, honrarias, títulos honorários e a chave da cidade.
E assim, vamos ganhando tempo , enquanto envelhecemos.
De repente percebemos que ganhamos algumas rugas, algumas dores nas costas (ou nas pernas), ganhamos celulite, estrias, ganhamos peso ,e perdemos cabelos.
Nos damos conta que perdemos também o brilho no olhar, esquecemos os nossos sonhos, deixamos de sorrir.
perdemos a esperança.
Estamos envelhecendo.
Não podemos deixar pra fazer algo quando estivermos morrendo.
Que a gente cresça e não envelheça simplesmente.
Que tenhamos dores nas costas e alguém que as massageie.
Que tenhamos rugas e boas lembranças.
Que tenhamos juízo mas mantenhamos o bom humor e um pouco de ousadia.
Que sejamos racionais, mas lutemos por nossos sonhos.
E, principalmente, que não digamos apenas eu te amo, mas ajamos de modo que aqueles a quem amamos, sintam-se amados mais do que saibam-se amados.
Afinal, o que é o tempo?
Não é nada em relação a nossa grande missão.
E que missão!
Fique em Paz!
Desconheço o autor
Postado por: Raquel às 16h22
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Corpo, coração e mente

"Todo o corpo, coração e mente, em amar-te
tanto profundo quanto em largo empenhados,
trazem a mim teu rosto em tela: pura arte...
Eis o motivo para estar apaixonado!
Diante de tão rica obra, para tocar-te
as mãos estendo, e nelas o verso estirado
a traduzir o meu desejo de entregar-te
em beijos e beijos meu ser lisonjeado,
e a pele tua de meus beijos na morada
transformar, esta arquitetura bela e terna,
qual pétala curva e sequiosa da flor...
E minha vida nesse instante eternizada
(minha vida não quer morrer por ser eterna)
quer eternamente arder nas flamas do amor."
Elizabeth Barret Browing
Postado por: Raquel às 17h58
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Soneto da felicidade

"De tudo , ao meu amor serei atento
Antes,e com tal zelo, e semre, e tanto
Que mesmo em face do maior encanto
Dele se encante mais meu pensamento.
Quero vivê-lo em cada vão momento
Em seu louvor hei de espalhar meu canto
E rir meu riso e derramar meu pranto
Ao seu pesar ou seu contentamento,
E assim, quando mais tarde me procure,
Quem sabe a morte, angústia de quem vivie
Quem sabe a solidão, fim de quem ama
Eu possa me dizer do amr que tive:
Que não seja imortal, posto que é chama
Mas que seja finito enquanto dure"
Vinícius de Moraes
Postado por: Raquel Pelegrini às 10h57
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Quando...
OBRIGADA CELI!!
BEIJOS NO SEU CORAÇÃO!!

"Quando me olhas, amor,
com a força de um lampejo,
teu olhar, este rochedo,
revigora o meu desejo.
Quando me tocas, amor,
no coração com teu beijo,
sinto em teu sorriso quedo
a leveza com que rejo
a melodia do mar.
Quando, amor, o teu carinho
me falta, me sinto em grade
lançado no desamar,
amordaçado e sozinho
pelas ruas dessa cidade."
Elizabeth Barret Browinhg
Postado por: Raquel Pelegrini às 11h42
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Se tiveres que me amar...

Se tiveres que me amar
Ama-me por amor do amor somente
Não digas:"Amo-a pelo seu olhar, seu sorriso,
Seu modo de falar sincero e brando.
Amo-a porque se sente minha alma,
Em contantes comunhão com a sua.
E traz uma sensação agradável ao dia.
Porque isso tudo pode mudar,
querido; em si mesmo,
Ao perpassar do tempo ou para ti unicamente
Nem me ames que pelo pranto que a bondade
de tuas mãos enxuga.
Pois se em mim secar, por teu conforto,
esta vontade de chorar.
Teu amor pode ter fim!
Mas ama-me por amor do amor somente
Que assim conseguirás amar sem fim,
por toda a eternidade."
Elizabeth Barret Browing
Postado por: Raquel Pelegrini às 21h03
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